terça-feira, junho 23, 2015

Coimbra, 18 de Junho de 2015 - Conclusões

III CONFERÊNCIA SOBRE SAÚDE E DIREITO
Coimbra, 18 de Junho de 2015
“Proteção Jurídica da Pessoa em Situação de Incapacidade”

CONCLUSÕES

1.     As demências, cuja forma mais frequente é a Doença de Alzheimer, são umas das principais causas de incapacidade das pessoas com mais de 65 anos e interferem, de forma gradual e irreversível, no processo de decisão;
2.     As pessoas mais velhas têm características biológicas próprias pelo que os medicamentos e tratamentos que lhe são destinados têm que ser previamente experimentados em pessoas com idênticas características;
3.     Sendo que a idade é o principal factor de risco para processos neuro degenerativos, e outros, que comprometem a faculdade de tomar decisões livres e esclarecidas, como é o caso das demências, importa sensibilizar a população para a importância de participar em ensaios clínicos e de tomar esta decisão antecipadamente, quer através de um testamento vital quer através de procuração para cuidados de saúde;
4.     O dever de cuidar dos mais velhos não é só um dever moral ou ético, encontra acolhimento no Código Civil Português, não só como um dever entre cônjuges mas também como um dever dos filhos para com os pais e dos netos para com ao avós, é assim um dever jurídico;
5.     Os filhos e os netos podem ser obrigados a prestar alimentos aos seus pais ou avós;
6.     Os processos de interdição e de inabilitação afiguram-se ultrapassados e inadequados para salvaguardar os interesses das pessoas em situação de incapacidade;
7.     A gestão do património das pessoas incapazes não declaradas interditas ou inabilitadas continua por regular especialmente;
8.     A gestão do património das pessoas incapazes não declaradas interditas ou inabilitadas só pode fazer-se nos termos gerais do Código Civil, contando com a intervenção do Ministério Público e através do instituto da «gestão de negócios».
9.     Urge criar novas figuras jurídicas como o “mandato permanente” proposto por Paula Vítor, docente da Faculdade de Direito de Coimbra, à qual a Ordem dos Notários adere, devendo esse ato revestir forma de ato notarial, logo de documento autêntico.
10.  O Notário desempenha um papel fundamental na protecção dos interesses e direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade, cabendo-lhe a avaliação da capacidade do outorgante para celebrar testamento, doação, procuração ou qualquer outro acto da sua competência.
11.  As pessoas idosas têm necessidades específicas e muitas encontram-se em situação de grande vulnerabilidade, carecendo de especial atenção pelo que a criação de Comissão de Promoção dos Direitos do Idoso, pode surgir como uma resposta adequada.
12.  Para a promoção dos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade e para a prestação de cuidados de qualidade e adequados às necessidades específicas de cada um, é fundamental promover a partilha de conhecimento entre profissionais de Saúde e de Apoio Social com os diversos profissionais do Direito.


Conclusões redigidas pela Dr.ª Maria do Rosário Reis 


“Proteção Jurídica da Pessoa em Situação de Incapacidade”


CENTRO DE DIREITO BIOMÉDICO E PLATAFORMA SAÚDE EM DIÁLOGO
REALIZAM A III CONFERÊNCIA SOBRE SAÚDE E DIREITO

No passado dia 18 de Junho, nas instalações da ANF, Delegação de Coimbra, teve lugar a conferência “Proteção Jurídica da Pessoa em Situação de Incapacidade”.

Foi a terceira de um ciclo de conferências organizadas pelo Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e pela Plataforma Saúde em Diálogo, desta vez destinada às respostas que o Direito Português oferece no que toca à promoção dos direitos das pessoas em situação de incapacidade. Apesar de a Lei de Saúde Mental (que é já de 1998) prometer que a gestão do património das pessoas incapazes não declaradas interditas ou inabilitadas seria regulada por decreto lei, a verdade é que tal nunca chegou a acontecer.


Começando pela descrição do que são as demências (neurologista Professora Isabel Santana) e da forma como estas patologias interferem no processo de decisão, houve também espaço para temas como: os ensaios clínicos nas pessoas idosas (Dr. Faria Vaz) e as respostas do Direito Civil no que toca aos deveres de cuidado e à obrigação de alimentos por parte de cônjuges e parentes (Professor André Dias Pereira).

Das apresentações de Geraldo Ribeiro e de Ana Elisabete Ferreira, mais uma vez ficou demonstrado o caracter obsoleto dos processos de interdição e de inabilitação e a necessidade urgente de serem criadas novas figuras jurídicas, tal como é proposto por Paula Távora Vítor, docente da Faculdade de Direito de Coimbra.

A Dra. Filomena Girão, Advogada, falou-nos das Decisões Antecipadas de Vontade e da Procuração para Cuidados de Saúde, bem como do Registo Nacional do Testamento Vital, como importantes instrumentos à disposição de quem, no uso das suas faculdades mentais, queira tomar decisões sobre a sua saúde para valerem em futura situação de incapacidade.

Por fim, a visão do Notário, no que toca à proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade, coube ao Dr. Rui Lopes em representação do Senhor Bastonário da Ordem dos Notários, Dr. João Maia. Salientou a competência do Notário na avaliação da capacidade do outorgante para celebrar testamento, doação, procuração ou qualquer outro acto da sua competência.

No final, pudemos contar com a presença do Dr. Alcino Silva, Assessor do Vereador da Acção Social da Câmara de Coimbra que manifestou o interesse do município e a sua sensibilidade para os problemas dos mais velhos, tendo, inclusive, anunciado a criação de Comissão de Promoção dos Direitos do Idoso, naquele município.

De salientar o excelente acolhimento proporcionado pela Delegação Centro da ANF presidida pelo Dr. Augusto Meneses, o qual nos presenteou com a sua participação ao longo dos trabalhos e que, no final da sessão nos deixou com uma analogia com os encontros que aconteciam na botica entre o boticário, o médico, o advogado, o notário, só tendo faltado o juiz.

A próxima conferência será em Faro, no mês de Outubro, e o tema será “A Economia Social e As Associações de Doentes”.




Lançamento do livro de André Gonçalo Dias Pereira, Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica, em Lisboa

Lançamento do livro de André Gonçalo Dias Pereira, Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica, em Lisboa


Ordem dos Advogados, Largo de São Domingos, n.º 14, Lisboa

Presidente da Sessão: Bastonária da Ordem dos Advogados, Dr.ª Elina Fraga
Apresentação: Dr.ª Maria de Belém Roseira (Deputada à Assembleia da República) 

Autor: Prof. Doutor André Gonçalo Dias Pereira (Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Presidente da Direção do Centro de Direito Biomédico)

segunda-feira, junho 22, 2015

Apresentação do livro Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica, de André Gonçalo Dias Pereira

Apresentação do livro  Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica, de André Gonçalo Dias Pereira

Sala Miguel Torga – 22 de junho – 21h00

Quais são os direitos da pessoa doente e como podemos melhorar o sistema jurídico no sentido de prestar melhores cuidados de saúde tendo em conta o respeito pela dignidade da pessoa humana? O estudo pioneiro realizado por André Gonçalo Dias Pereira responde a estas e outras perguntas.


A obra ‘Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica’ é apresentada, dia 22 de junho, segunda-feira, pelas 21.00 horas, na Sala Miguel Torga, na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

A sessão de apresentação do livro contará com as intervenções de:
José Manuel Silva (Bastonário da Ordem dos Médicos/Presidente da mesa), Duarte Nuno Vieira (Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra/apresentador), Carlos Cortes (presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos) e André Gonçalo Dias Pereira (autor).

Este livro do atual presidente da direção do Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra), tem chancela da Coimbra Editora (2015).





A obra:

O livro é baseado na Dissertação de Doutoramento defendida na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra:
Escreve o autor:  “A responsabilidade médica em Portugal está em verdadeira convulsão e o mais grave é a extrema indefinição e insegurança em que todos os operadores se movimentam. Desde regimes bicéfalos (quer na responsabilidade civil, quer no acesso à informação de saúde), a regime indefinidos, correntes jurisprudenciais antagónicas (em matéria do que sejam “obrigações de resultado” ou “atividades perigosas”), enfim, algo que não contribui para criar confiança.”


O autor: 

André Gonçalo Dias Pereira é desde 2014 membro da CEIC – Comissão de Ética para a Investigação Clínica e, desde março de 2015, membro da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida e, também, desde maio deste ano, membro do Conselho Médico-Legal. É Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC). Doutor em Ciências Jurídico-civilísticas (aprovado com distinção e louvor, por unanimidade), com a tese intitulada “Direitos dos Pacientes e Responsabilidade Médica”. Mestre em Ciências Jurídico-civilísticas, com a tese “O Consentimento informado na relação medico-paciente”, foi galardoado com o Prémio Manuel de Andrade II (Prémio para a melhor tese de Mestrado em Direito Civil no ano de 2003, na FDUC), sendo ainda Pós-graduado em Direito da Medicina pelo Centro de Direito Biomédico da FDUC (1999).
O atual Presidente da Direção do Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra tem  dezenas de publicações no país e no estrangeiro e é Professor convidado em várias universidades estrangeiras (Toulouse, Salzburg, Salerno). Desde 2012 é Tesoureiro e membro do Executive Committee da Associação Mundial de Direito Médico e Responsável científico do 21.ª Congresso Mundial de Direito Médico, que se realizará em Coimbra de 2 a 6 de agosto.
É membro de várias Comissões de Ética (Instituto Nacional de Saúde - Doutor Ricardo Jorge; AIBILI; Sociedade Portuguesa de Genética Humana; Comité de Ética Animal do Laboratório Associado IBMC-INEB; membro da ORBEA – Órgão Responsável pelo Bem Estar Animal da Universidade de Coimbra).


domingo, junho 21, 2015

República do Direito - 26 de junho de 2015

Coimbra, 2 de junho de 2015
Caras e Caros Repúblicos,
Na continuidade da atividade da nossa República do Direito – Associação Jurídica de Coimbra, temos a honra de convidar os ilustres repúblicos para uma sessão em que vamos debater:
“O Homem do Futuro – Cyborg e implantes”
O orador convidado é o Prof. Doutor Alexandre Quintanilha  (Doutorado em Física do Estado Sólido, Professor Catedrático no ICBAS e Coordenador do Instituto de Biologia Molecular e Celular no Porto, Presidente da Comissão de Ética para a Investigação Clínica).
Este evento terá lugar no próximo dia 26 de junho, sexta-feira, pelas 20 horas, durante um jantar/debate na Quinta das Lágrimas e logo após a Assembleia Geral cuja convocatória segue junto.
No sentido de aliciar os colegas repúblicos a participarem nesta reflexão solicitámos a um colega da Direção, o Fernando Gomes, a elaboração de um pequeno texto sobre o tema:
“ O Futuro sempre foi tema que preocupou o Homem ao longo dos séculos e estas preocupações refletiram-se em áreas tão díspares como a filosofia, a literatura, a medicina, a física, a arquitetura, enfim em todas aquelas que de alguma forma têm o Homem como alvo.
Do Inglês cybernetics organism, Manfred Clynes e Nathan Kline  inventaram, em 1960, o termo Cyborg para se referirem a um Homem Melhorado para poder viver no espaço sideral.
A Ficção Científica tem desenvolvido o tema nas mais diversas vertentes. Os típicos Cyborgs das obras de ficção científica aparecem como uma síntese de partes orgânicas e artificiais e têm servido para o debate homem/máquina, permitindo reflexões sobre moral, livre-arbítrio, felicidade, enfim um futuro melhor para o Homem. Todos nos lembramos dos exemplos de Star Trek, Battlestar Galactica, Robocop, etc.
No entanto hoje podemos falar de Cyborgs reais quando falamos de pessoas que utilizando a tecnologia cibernética procuram a reparação ou a superação de deficiências, e com a ajuda da biónica e da nanotecnologia poderem regressar à “normalidade”.
Na Medicina poderemos referir dois tipos diferentes de Cyborgs : o restaurador e o realçador. Este ultimo tipo é o que maiores questões coloca no plano da ética.
A utilização da Estimulação Cerebral Profunda é hoje uma realidade, até aqui em Coimbra, no tratamento de doenças tão díspares como a Doença de Parkinson e a Perturbação Obsessivo-Compulsiva.
Ao contrário das próteses, os implantes biônicos permitem que os órgãos ou as partes do corpo se aproximem de suas respectivas funções originais. São hoje realidades, a “orelha biónica”, membros robóticos, coração artificial, etc.
O desenvolvimento contínuo da biônica e das nanotecnologias levanta questões sobre as possibilidades futuras dos ciborgues e se, com suas contribuições e usos, poderão superar o "modelo biológico", ou seja, o corpo humano propriamente dito. A questão ética tem sido muito debatida; os defensores das novas tecnologias costumam usar como argumento o fato de que estas tecnologias podem ajudar o ser humano a ter uma qualidade de vida melhor, limitando os impactos do envelhecimento e de doenças, aumentando fatores como a velocidade, a força, a resistência e a inteligência.
Já não estamos pois no tempo da Ficção Científica e avançamos num terreno em que para além dos avanços da ciência deparamos com novos e desafiantes problemas colocados à Ética e ao Direito no que concerne à salvaguarda dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Estamos preparados para as respostas necessárias ? “
Esperamos que a escolha deste tema tão atual e a excelência do orador estimule a participação ativa dos colegas repúblicos.
Contamos consigo. Até lá !
A Direção
André Gonçalo Dias Pereira – Presidente – (Professor Universitário)
Fernando Gomes – Vice-Presidente – (Neurocirurgião)
Conceição Carvalho – Tesoureira – (Advogada)
Rodrigo Pereira da Costa – Secretário Vogal – (Juiz de Direito)
Júlio Barbosa e Silva – Vogal – (Procurador-Adjunto da República)

P.S. :

Por razões de natureza logística torna-se necessário fazer a sua inscrição junto de qualquer membro da Direção até dia 23 de junho, de preferência para: conceicaocarvalho.adv@gmail.com. O pagamento, 25€, será processado no local.